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Health Radar Falar com a gente

Plataforma de dados da Atenção Primária

Seu município está deixando dinheiro na mesa agora.

Entre R$ 11 e R$ 20 por habitante, por mês. Foi o que medimos.

A régua que define o repasse da atenção primária é federal e vale igual para os 5.570 municípios brasileiros. Ela muda por portaria, o relatório mensal tem centenas de linhas, e nenhuma secretaria tem equipe sobrando para conferir isso. O Health Radar confere — e antecipa: diz o que vai acontecer na próxima competência e até quando dá para impedir. E o caminho do dinheiro é o mesmo do cuidado: o que eleva o repasse é pré-natal em dia, hipertenso acompanhado, criança vacinada.

O que medimos, por habitante

R$ 11 a R$ 20 por habitante, por mês, em jogo na atenção primária — o que dá para impedir ou passar a receber

Multiplique pela população do seu município.

20 mil habitantes R$ 2,8 a 4,9 mi por ano
50 mil habitantes R$ 6,9 a 12,3 mi por ano
100 mil habitantes R$ 13,8 a 24,5 mi por ano
500 mil habitantes R$ 68,8 a 122,6 mi por ano

Faixa observada nos cinco primeiros municípios apurados, de 42 mil a 1,6 milhão de habitantes. É amostra pequena e de um único estado: serve para dimensionar a ordem de grandeza, não para prever o seu caso. O número do seu município sai da primeira apuração, do seu próprio relatório.

Não é o seu município

É o desenho. E ele é o mesmo em todo o país.

Perder recurso da atenção primária não é sinal de má gestão: é o resultado previsível de quatro características do financiamento federal, que valem para o município de vinte mil habitantes e para a capital do mesmo jeito. Nos cinco primeiros municípios que apuramos — de 42 mil a 1,6 milhão de habitantes — havia perda em todos, e em nenhum ela era conhecida antes.

01

A régua é federal, e muda sem avisar

Portaria, nota técnica e nota metodológica alteram valor por faixa e ponto de corte. Três regimes normativos convivem na mesma série: até dezembro de 2025 toda equipe recebeu como BOM por transição; desde maio de 2026, só ÓTIMO recebe integral. Nenhum município tem régua própria — e nenhum é avisado individualmente quando ela muda.

02

O relatório é de prestação de contas

Ele diz corretamente o que foi pago. Não diz o que deixou de ser pago — essa diferença não está em coluna nenhuma e precisa ser calculada, componente por componente, competência por competência.

03

Ninguém tem equipe sobrando para ler

São centenas de linhas por competência, mais a planilha de equipes sujeitas à suspensão, mais as notas metodológicas dos quinze indicadores. Uma secretaria de município médio não tem — e não deveria precisar ter — alguém dedicado a conferir isso todo mês.

04

As pegadinhas não são intuitivas

Os quinze indicadores são sete, seis e dois por tipo de equipe, não quinze por equipe. Um é invertido: na exodontia, menor é melhor. Outro tem teto: acima de 70%, o indicador de acesso volta a Regular. E estourar o teto de cadastro derruba a classificação no quadrimestre seguinte. Boa-fé não protege de nenhuma dessas.

As três frentes

Parar de perder é metade. A outra metade é passar a receber.

Um município não precisa só evitar prejuízo: precisa ocupar o que já tem direito de ocupar. As três frentes têm valor medido e prazo próprio, porque credenciar equipe, contestar competência e subir indicador acontecem em velocidades diferentes.

Ocupar

A vaga aberta no teto

R$ 789 milpor mês

Credenciamento leva de 30 a 90 dias

Vaga que existe no teto e ninguém credenciou. Não é perda por erro: é perda por escolha — quase sempre uma escolha que ninguém fez de propósito, porque ninguém sabia que a vaga estava ali.

Parar de perder

A perda que se repete

R$ 63 milpor mês

A próxima competência fecha em semanas

Equipe credenciada e não paga, competência sem repasse, desconto aplicado. O que aconteceu oito meses seguidos vai acontecer no nono — e esse é o único aviso que chega antes do prejuízo.

Subir de faixa

As equipes fora do ótimo

R$ 46 milpor mês

Efeito no quadrimestre seguinte

Vinte e três de vinte e cinco equipes recebem abaixo do integral. O sistema diz qual indicador, de qual equipe, a quantos pontos do corte — e em que quadrimestre o dinheiro entra.

Não é só dinheiro

Subir de faixa é atender mais gente. O repasse é o reconhecimento disso.

O que define quanto o município recebe não é papelada: é desfecho de cuidado. Cada ponto percentual nos indicadores é uma pessoa que passou a ser acompanhada — e o repasse integral é a consequência, não o objetivo. Um município com vinte e três equipes fora do integral tem, hoje, um grupo de pessoas sem acompanhamento; é isso que o repasse menor está dizendo.

C1

Mais acesso à atenção primária

Consulta feita, não consulta agendada. É o único indicador com teto: acima de 70% volta a Regular, porque acesso elevado demais aponta registro, não atendimento.

C2

Desenvolvimento infantil

Criança acompanhada nos primeiros anos: peso, altura, marcos do desenvolvimento e vacina em dia. Cada ponto é uma criança a mais na puericultura.

C3

Gestação e puerpério

Pré-natal iniciado no tempo certo, exames feitos e consulta depois do parto. É o indicador com efeito mais direto sobre mortalidade materna e neonatal.

C4

Diabetes

Hemoglobina glicada aferida e registrada. Quem não é medido não é tratado — e diabetes sem acompanhamento chega ao hospital, não à unidade básica.

C5

Hipertensão

Pressão arterial medida no semestre. É o indicador de maior população elegível na maioria dos municípios, e por isso o de maior efeito sobre a faixa.

C6

Pessoa idosa

Acompanhamento de quem mais usa o serviço e menos aparece na estatística. Sobe junto com C4 e C5, porque em geral é a mesma pessoa.

C7

Câncer na mulher

Citopatológico do colo do útero em dia. Rastreio é o tipo de cuidado que só aparece no indicador anos antes de aparecer na fila da oncologia.

Sete, seis e dois

São quinze indicadores no total, mas não quinze por equipe: sete para eSF e eAP, seis para saúde bucal, dois para eMulti. E um deles é invertido — na taxa de exodontia, menor é melhor. Tratar todos como uma escada inverte o diagnóstico.

O relógio da vaga aberta

O único número que só cresce enquanto ninguém age.

Vaga aberta no teto não é linha de balanço: é perda que corre todo dia, em qualquer município. O exemplo abaixo é de um dos cinco apurados, com 84 mil habitantes — no seu, a conta é a mesma com outros números.

R$ 26.315 por dia de vaga não ocupada

Oito competências de vaga aberta somam R$ 6,32 milhões que já não voltam. Este é o único número desta página que só cresce enquanto ninguém age — e ele não aparece em relatório nenhum, porque relatório registra o que foi pago, não o que ficou vago.

O que vai acontecer de novo

Previsão com a contagem à mostra.

Toda linha de projeção carrega a base que a sustenta. “8 de 8” não é detalhe técnico: é o que separa previsão de adivinhação, e é o que permite ao secretário discordar da conta.

O que se repetiu, quantas vezes, e o que isso projeta. Ocorrência isolada não é projetada; o que parou de ocorrer sai da lista.
O que se repete Base Força Próximo mês Até dezembro
Agentes comunitários credenciados e não pagos 8 / 8 alta R$ 54.708,75 R$ 328.252,50
Equipe de saúde bucal com repasse intermitente 6 / 8 média R$ 5.412,00 R$ 32.472,00
Desconto aplicado sem aviso prévio 3 / 8 baixa não projetado

Dois registros que não se misturam

Onde acaba o fato e começa a aritmética.

Apuração

É fato, e aponta para o arquivo

Cada real apurado sai de uma linha do relatório oficial de pagamento, guardado por hash. Aqui o sistema não estima: componente sem valor unitário observável entra como vaga, nunca como reais. Chutar produziria um total mais bonito e uma contestação perdida.

Projeção

É aritmética declarada, com a base à vista

A projeção não adivinha: ela conta quantas vezes um fato se repetiu e multiplica pelo que resta do ano. “8 de 8 competências” fica na tela ao lado do valor, e ocorrência isolada não é projetada. Quem lê pode discordar da conta — e para discordar precisa vê-la.

Os dois registros nunca se somam no mesmo total. Misturar fato apurado com projeção num número só é como se produz o número errado com cara de certo.

Como a perda é apurada

A pergunta não é só “quanto”. É “o que eu faço com isso”.

Antes de projetar, o sistema apura. E separa a perda pelo que o gestor pode fazer com ela — somar tudo num número só produz um susto e nenhuma ação.

Contestar

Perda exata

Equipe credenciada e não paga. Competência que simplesmente não veio. Desconto aplicado sem aviso. Não é interpretação: é a diferença entre o que o município tinha direito e o que entrou. Sai com a linha do relatório, a competência e o valor unitário.

Trabalhar

Perda por indicador

A equipe existe, está credenciada, e recebeu menos porque não completou. Aqui não há o que contestar; há o que fazer — inclusive parar de cadastrar, porque estourar o teto de cadastro impede a classificação ótima no quadrimestre seguinte.

Decidir

Perda de teto

Vaga que existe no teto e ninguém credenciou. O teto é líquido: quem consome fração do teto de outro componente desconta dele, e é a vaga já descontada que aparece na tela.

A prova do número

Cinco portes diferentes. Cinco vezes a mesma história.

Entre o menor e o maior há 38 vezes de diferença de população. A perda apareceu em todos os cinco, e a conta por habitante ficou numa faixa estreita — é isso que permite estimar a ordem de grandeza do próprio município antes mesmo da primeira apuração.

Cinco municípios, anonimizados por porte. Perda apurada em todos, nenhuma conhecida antes da apuração. Valores mensais em jogo, do relatório oficial de pagamento.
Porte Em jogo por mês Por habitante Até dezembro
42 mil habitantes R$ 309.957 R$ 20,43 R$ 1,86 mi
84 mil habitantes R$ 898.033 R$ 15,19 R$ 5,39 mi
93 mil habitantes R$ 932.669 R$ 14,48 R$ 5,60 mi
142 mil habitantes R$ 1.227.948 R$ 18,54 R$ 7,37 mi
1,59 milhão de habitantes R$ 20.956.900 R$ 11,47 R$ 125,74 mi

Nenhum desses números vem de estimativa. Cada um sai do relatório oficial de pagamento — o mesmo arquivo que a prefeitura baixa do e-Gestor — guardado por hash, com a memória de cálculo de cada achado. A apuração de hoje pode ser reproduzida daqui a dois anos e dar exatamente o mesmo resultado.

R$ 792 mil apurados em oito competências, com a linha do relatório que gerou cada real
R$ 15 por habitante, por mês — o tamanho da conta para quem mora lá
23 de 25 equipes recebendo abaixo do integral, cada uma com um caminho medido

Como funciona

Cinco passos — e o quinto é o que quase ninguém faz.

1

Importa

O relatório oficial do e-Gestor entra pela tela, não por linha de comando. O município nasce do próprio arquivo, que já traz nome, UF e código IBGE. O bruto fica guardado por hash: a prova não se perde num reprocessamento.

2

Apura

Os três canais, cada um com a régua da competência certa. Parâmetro normativo é dado versionado por vigência, nunca constante em código — é isso que impede aplicar a regra de 2026 a uma competência de 2025 e produzir um número que ninguém consegue defender.

3

Antecipa

Conta quantas vezes cada perda se repetiu, mede quanto a vaga aberta custa por dia e calcula a distância de cada equipe até o próximo ponto de corte. O resultado é valor com prazo: o que dá para impedir, e até quando.

4

Avisa

Quem precisa saber, pelo canal que a pessoa usa — e-mail ou WhatsApp. Equipe entrando em suspensão não espera alguém abrir o painel na semana seguinte.

5

Cobra ação, e confere

Plano com responsável e prazo — e a conclusão é verificada contra o dado da competência seguinte. Item que alguém marcou como feito e que não mudou o número continua aberto. Concluir item não é recuperar dinheiro.

Para quem é

Três pessoas na secretaria, três leituras do mesmo dado.

O acesso é por papel, e cada papel vê o recorte que precisa para agir — não uma versão simplificada do mesmo painel.

Secretário de saúde

Precisa saber quanto está em jogo, o que dá para impedir e onde colocar o esforço da equipe neste mês. Abre o painel e vê três frentes com valor e prazo, não um relatório de centenas de linhas.

Coordenação da atenção primária

Precisa do detalhe que vira tarefa: qual equipe, qual indicador, quantos pontos até o corte, e em que quadrimestre o resultado aparece. O plano de ação nasce daí, com responsável e prazo.

Controle interno e prestação de contas

Precisa defender o número. Cada real apurado aponta para a linha do relatório oficial que o gerou, o arquivo bruto fica guardado por hash, e há trilha de quem viu e alterou o quê.

Como se cobra

Base por equipe, mais percentual sobre o que o dado confirmou.

Base

Por equipe, com piso

“Equipe” é o componente cuja unidade é equipe no relatório oficial — eSF, eAP, eSB, eMulti. Não é contagem digitada por ninguém: o município confere a base de cálculo da própria fatura contra o arquivo do Ministério.

Êxito

Sobre o que foi confirmado

O percentual incide só sobre o que a competência seguinte confirmou ter sido recuperado — a perda parou de aparecer no relatório. Cobrar sobre item que alguém marcou como concluído seria cobrar sobre promessa, e projeção nunca entra na fatura.

A fatura congela os parâmetros do contrato na emissão: renegociar em março não mexe no que foi faturado em janeiro.

Descubra o número do seu município.

A primeira apuração usa o relatório de pagamento que a sua secretaria já baixa do e-Gestor — sem instalar nada, sem trocar de sistema, sem digitar dado algum. Você vê o apurado, a projeção com a base à vista e as três frentes com prazo antes de decidir qualquer coisa. Vale para qualquer um dos 5.570 municípios: a régua é a mesma.